Só 6% das empresas capturam valor real com IA

Para Sheila Dantas Santos, CEO da AI Mastermind, a adoção de inteligência artificial já é uma realidade, mas a vantagem competitiva depende da alfabetização em IA nas organizações.

Apesar da rápida adoção da inteligência artificial pelas empresas, poucas organizações conseguem transformar a tecnologia em resultados concretos. Segundo dados da McKinsey apresentados durante o Agile Trends Nordeste 2026, 88% das empresas já utilizam IA, mas apenas 6% afirmam capturar valor real com essa adoção.

Os dados foram apresentados por Sheila Dantas Santos, CEO da AI Mastermind, durante o Agile Trends Nordeste 2026, realizado em Recife. Na palestra, a executiva defendeu que o diferencial competitivo deixou de ser simplesmente utilizar inteligência artificial e passou a ser desenvolver AI Literacy — conceito que define a capacidade das pessoas de usar IA de forma estratégica, crítica, ética e responsável.

A pergunta não é se vamos usar IA, mas se vamos usar com preparo ou no improviso“, afirmou.

Segundo a especialista em Inteligência Artificial para Negócios, a popularização da IA generativa acelerou a entrada da tecnologia nas empresas antes mesmo da definição de estratégias formais. Ela lembrou que, em 2024, 75% dos trabalhadores do conhecimento já utilizavam IA no trabalho, sendo que 78% levavam suas próprias ferramentas para o ambiente corporativo, fenômeno conhecido como shadow AI. Para ela, esse movimento amplia riscos relacionados à governança, privacidade de dados e tomada de decisão.

AI Literacy como competência organizacional

Durante a apresentação, Sheila Dantas Santos explicou que AI Literacy vai além do domínio de prompts ou do conhecimento técnico sobre modelos de IA. A competência envolve saber formular boas perguntas, avaliar respostas, aplicar corretamente a tecnologia e tomar decisões considerando contexto, riscos e impactos para o negócio.

Ferramenta não substitui alfabetização“, resumiu.

Na avaliação da executiva, muitas organizações ainda cometem três erros recorrentes: acreditar que comprar ferramentas resolve o problema, permitir que cada colaborador utilize IA sem diretrizes e confiar excessivamente na aparente inteligência das respostas produzidas pelos modelos.

Ela também destacou que iniciativas de IA precisam estar apoiadas em três pilares: cultura, capacitação e governança. O objetivo é criar ambientes seguros para experimentação, desenvolver competências entre os colaboradores e estabelecer regras claras sobre o uso da tecnologia.

Pessoas continuam no centro da transformação

Como exemplo prático, Sheila Dantas Santos contou que utilizou inteligência artificial em praticamente toda a preparação da própria palestra — do roteiro às imagens dos slides. Ainda assim, explicou que o trabalho levou três dias porque revisou, contestou e refinou continuamente os resultados produzidos pelas ferramentas.

A verdadeira transformação não acontecerá quando as máquinas ficarem mais inteligentes. Ela acontecerá quando pessoas e organizações aprenderem a trabalhar melhor com elas“, concluiu.