Lovable já é usado por até 80% das empresas

O uso de ferramentas de desenvolvimento baseadas em inteligência artificial já alcança, segundo uma estimativa apresentada durante o Agile Trends São Paulo 2026, até 80% das empresas, seja com o Lovable ou com plataformas concorrentes.

A principal mudança provocada pelo chamado vibe coding, segundo o palestrante, não está necessariamente no software produzido, mas na possibilidade de testar ideias rapidamente e decidir depois quais delas merecem investimento.

Os dados e exemplos foram apresentados por Lucio Amorim, Solutions Partner da Lovable para a América Latina, durante o evento. Com mais de 20 anos de experiência no ambiente corporativo, incluindo atuação em grandes empresas e como consultor, Lucio afirmou que a nova dinâmica reduz o custo de experimentar, mas não elimina a necessidade de governança.

Segundo ele, o paradigma de Build or Buy também está mudando. Em vez de decidir antecipadamente se uma empresa deve desenvolver ou contratar uma solução, equipes podem construir um protótipo funcional antes de tomar a decisão. “O seu build, o que você entrega com o Lovable, é o seu spec”, afirmou.

Um dos exemplos citados foi o de uma fintech que precisava integrar dois sistemas. Em vez de seguir inicialmente os ritos tradicionais de desenvolvimento, um CFO trabalhou com um profissional que conhecia o Lovable e, em uma reunião, chegou a um protótipo funcional conectado à base. A partir daí, a equipe técnica recebeu uma referência concreta do que precisava ser entregue.

Protótipo como opção

Para Lucio, essa dinâmica também muda o conceito de backlog. Como ficou mais barato produzir e descartar soluções, o protótipo pode ser tratado como um pequeno investimento para obter informação, e não necessariamente como o início de um projeto permanente.

“A gente vive a era do software descartável”, disse. A consequência, segundo ele, é deslocar o foco para a descoberta e aceitar que algumas soluções serão abandonadas depois de testadas.

Na própria Lovable, Lucio relatou um caso envolvendo um portal para gerenciamento de parceiros. Como as regras do processo mudavam constantemente, a equipe conseguia atualizar o sistema no mesmo dia ou no dia seguinte às reuniões. “A sacada é que ficou barato mudar”, afirmou.

A velocidade, porém, não elimina os riscos. O executivo recomenda evitar o uso dessas ferramentas em aplicações load-bearing, que sustentam operações críticas do negócio. Sistemas relacionados a legislação, multas, segurança ou informações sensíveis continuam exigindo rigor, porque o custo de um erro permanece elevado.

Nesse cenário, a governança muda de posição. “A governança vai para a promoção, não na tentativa”, afirmou Lucio. Para ele, profissionais de Agile continuam tendo papel relevante justamente na definição do que pode ser experimentado rapidamente e do que precisa passar por controles mais rigorosos antes de chegar à operação.