Tribunal de Contas do ES conclui plano de gestão de dois anos em apenas 3 dias com IA
Uso de agentes de IA, modelos mentais e OKRs reduziu drasticamente o tempo de construção do planejamento estratégico, afirma Marcos Barros, da Oxford Business Masters.
Construirum plano de gestão de dois anos em apenas três dias foi o resultado apresentado pelo Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES) após adotar uma abordagem baseada em modelos mentais, agentes de inteligência artificial e OKRs. Segundo Marcos Barros, fundador da Oxford Business Masters, o projeto substituiu um processo que normalmente leva meses por uma metodologia capaz de acelerar tanto a elaboração quanto a execução da estratégia.
Os dados foram apresentados por Marcos Barros, da Oxford Business Masters, durante o Agile Trends Nordeste, em palestra intitulada “A Revolução dos Agentes: Reinventando o Planejamento Estratégico e o Ciclo de OKRs com Inteligência Artificial”. Os slides reforçam que a proposta combina modelos mentais, agentes de IA e OKRs para reduzir o tempo de construção dos planos estratégicos.
Barros iniciou a apresentação destacando um problema recorrente nas organizações: apesar de o planejamento estratégico consumir entre meses e mais de um ano para ser concluído, a taxa média de execução permanece inferior a 20%. “O grande problema não são os recursos gastos para construir um planejamento estratégico. O grande problema é que, apesar de todos os recursos empreendidos, o resultado é muito baixo”, afirmou.
Da estratégia aos OKRs com apoio de agentes de IA
O case apresentado teve como referência o trabalho realizado com o TCE-ES, onde oficinas presenciais permitiram concluir o plano de gestão de dois anos em apenas três dias. Segundo o especialista, o prazo foi excepcional e decorreu de uma necessidade específica do órgão, mas demonstra o potencial da metodologia. “Não recomendo fazer em três dias, mas garanto que é possível construir um planejamento estratégico em dias ou, no máximo, semanas, e não meses”, disse.
A metodologia, chamada Strata, utiliza entrevistas com a alta gestão, pesquisas com lideranças e agentes de IA para consolidar informações, definir grandes ambições estratégicas e traduzi-las diretamente em OKRs. O processo também emprega ferramentas como Claude, NotebookLM, Gemini e sistemas de transcrição para alimentar agentes especializados que apoiam desde a formulação até o acompanhamento dos objetivos.
Foco na execução
Além da velocidade, Barros destacou que o objetivo é aumentar a capacidade de execução da estratégia. Segundo ele, muitas organizações acumulam documentos extensos que acabam pouco utilizados na operação diária. “Tudo muito lindo, mas não conseguimos usar isso nas decisões do dia a dia. Então, para que isso serve?”, questionou ao relatar a experiência de um cliente do setor público.
A apresentação também mostrou que a metodologia já foi aplicada em diversos órgãos públicos, incluindo ANVISA, Tribunal de Contas da União (TCU), ministérios públicos e tribunais eleitorais, além de empresas privadas e multinacionais.