Itaú projeta squads com agentes de IA até 20 vezes mais rápidas
Modelo prevê humanos focados em contexto e decisão, enquanto agentes executam tarefas e conectam artefatos, diz Jessica Agatha, gerente de engenharia do Itaú Unibanco
O Itaú Unibanco trabalha com a perspectiva de levar a produtividade de seus times de tecnologia a um patamar de até 20 vezes mais rápido por meio de squads híbridas, nas quais humanos e agentes de inteligência artificial atuam juntos. A estratégia busca não apenas acelerar tarefas individuais, mas reduzir gargalos e tempos de espera ao longo do fluxo de desenvolvimento.
Os dados foram apresentados por Jessica Agatha Pignataro, gerente de engenharia do Itaú Unibanco, durante o Agile Trends São Paulo 2026, na palestra “Squads Híbridas: quando humanos e agentes de IA operam juntos”.
Segundo Jessica, a adoção de IA como assistente já acelera atividades de profissionais como product managers, desenvolvedores e QAs, mas não necessariamente reduz o tempo total de entrega. Em um exemplo apresentado na palestra, um fluxo com lead time de 21 dias, sendo 14 dias de execução e 7 dias de espera, teria o working time reduzido pela metade com IA. O lead time cairia para 14 dias, mas a eficiência do fluxo passaria de 66% para 50%, porque os gargalos entre etapas permaneceriam.
“Aumentar, se tornar as pessoas mais rápidas, não significa necessariamente tornar o nosso fluxo, o nosso sistema, mais rápido”, afirmou.
Da IA assistente à squad híbrida
A proposta do Itaú é migrar do modelo de AI Assistant, em que a tecnologia apoia tarefas individuais, para um modelo AI-driven, no qual agentes também propõem, geram e conectam artefatos ao longo do fluxo. No exemplo apresentado, o waiting time cairia de 7 para 1 dia, levando a eficiência do fluxo a 87%.
Nesse desenho, os humanos permanecem responsáveis por contexto, julgamento e decisão, enquanto os agentes ficam concentrados na execução. A estratégia utiliza como referência o AI Development Lifecycle (AI-DLC), framework público da AWS dividido em inception, construction e operation.
“O valor humano não se perde ao longo do processo, ele sobe na cadeia de valor”, disse Jessica.
Para evitar que as aprovações humanas criem novos gargalos, o Itaú também trabalha com o conceito de MOB, reunindo as pessoas necessárias para tomar decisões rapidamente sobre os artefatos produzidos pelos agentes.
Programa busca escalar squads híbridas
A empresa criou o programa Acelera IA, estruturado em três fases: acelerar, reinventar e transformar. Atualmente, segundo Jessica, o Itaú está na fase de reinventar e ainda não possui times na etapa de transformar, embora esteja próximo de iniciar pilotos.
A estratégia inclui um Centro de Excelência (CoE) para testar agentes e criar ativos e AI Advocates, profissionais que permanecem cerca de três meses em cada time para capacitação, re-skilling e padronização do novo fluxo de trabalho.
Entre as métricas acompanhadas estão adoção, produtividade, velocidade, qualidade e satisfação (NPS).
“O que vai levar a gente sair desse modelo de uma squad híbrida para mais squads, dar esse movimento de escala, é a governança”, afirmou Jessica.
Cases como este sobem ao palco do Agile Trends São Paulo 2026.