Globo estrutura portfólio com 8 iniciativas de IA
Modelo adotado pela empresa combina critérios de negócio, avaliação de esforço tecnológico e governança trimestral, diz Aline Guiato Catellan, Value Stream Manager da Globo.
A Globo estruturou um portfólio de 8 iniciativas de inteligência artificial (IA) a partir de um workshop de um dia, dividindo o trabalho em duas tribos de execução: Data & AI e Automações. A proposta foi transformar ideias em iniciativas com objetivos definidos, responsáveis, prazos e critérios de sucesso, conectando a tecnologia a problemas concretos das áreas de negócio.
Os dados foram apresentados por Aline Guiato Catellan, Value Stream Manager da Globo, durante o Agile Trends São Paulo. O trabalho começou em dezembro de 2025, com a participação de equipes de negócio, dados, IA e automação, para identificar oportunidades de melhoria em processos corporativos.
O desafio era evitar que a mobilização em torno da inteligência artificial resultasse apenas em listas de ideias sem continuidade. “Workshops de ideação são fáceis de fazer. E fáceis de esquecer”, resumiu Aline ao explicar por que a empresa precisava conectar a criação de propostas a uma estrutura de governança e acompanhamento.
Critérios de negócio orientaram a priorização
A equipe adotou o método Double Diamond, associado ao Design Thinking, com etapas de identificação de problemas, geração de soluções, priorização e detalhamento das iniciativas. Para manter a dinâmica objetiva, cada etapa teve tempo delimitado. Os critérios de priorização foram definidos com a liderança de negócio: eficiência operacional e aumento de receita.
As ideias selecionadas passaram por um canvas desenvolvido para o contexto da Globo. O modelo exigia detalhamento da oportunidade, dos dados necessários, do resultado esperado e de como medir o sucesso. Também ajudava a avaliar o esforço tecnológico e distinguir entre automações simples, soluções de argumentação, inovação e personalização — evitando tratar todas as propostas como projetos complexos de IA.
Das oito iniciativas priorizadas, quatro ficaram na tribo Data & AI e quatro na tribo de Automações. Entre elas estão a automação da projeção de fluxo de caixa, insights sobre prazos de pagamento, identificação de datas em invoices recebidas em PDF e uma plataforma de respostas a dúvidas financeiras e sobre normas de cartão.
Governança mantém as iniciativas em movimento
Após o workshop, as propostas foram validadas com patrocinadores e lideranças, receberam objetivos e prazos formais e passaram a ser acompanhadas trimestralmente. A Globo também utiliza um radar de iniciativas de IA e acompanhamento por OKRs, para verificar se os resultados esperados estão sendo alcançados.
“A ideação sem critério, ela só vai gerar lista”, afirmou Aline, destacando que a priorização precisa ser sustentada por uma rotina de acompanhamento — inclusive depois que as iniciativas entram em desenvolvimento ou produção.
A empresa também mantém uma visão mais ampla de seu portfólio: segundo a palestrante, o radar da área já reunia 100 iniciativas de IA. O número se refere a essa visão de acompanhamento e não apenas às oito propostas resultantes do workshop descrito.
Para Aline, o valor do método está em criar condições para que as ideias avancem com clareza sobre o problema a resolver e o impacto esperado, em vez de dependerem apenas do entusiasmo inicial com a tecnologia.